No hospital

Nada pode prepará-lo para ouvir as palavras que seu bebê morreu ou vai morrer logo após o nascimento. Você é surpreendida pela má noticia de que o filho está morto dentro do útero e precisa aguardar a realização dos procedimentos para a sua retirada. Tendo chegado tão longe em sua gravidez apenas aguardava o momento do nascimento de seu bebê. Você pode sentir irritado (a), confuso (a) e em estado de choque. Você não acredita no primeiro momento, acha que o pessoal do hospital ou médico estão enganados. Você se pergunta: como pode ser isso? e por quê?

[...] “Aí, depois, ele fez…. colocou o aparelho para ouvir o coração do neném e não ouvia mais. Aí ele falou assim: “Olha,  você aguarda um pouco que precisa esperar a sala de ultra-som abrir pra gente fazer o ultra-som”. Eu falei que tudo bem; fiquei aguardando…” (Mãe) (Rodrigues, 2009,p.45 )

Morte intra-uterina

Preparando-se para dar à luz sabendo que seu bebê está morto é um momento difícil, você não gostaria de dar à luz naturalmente, porque existe o tempo da espera com muita tristeza. Esta espera é muito sofrida para os pais, pois sabem da morte do filho, da impossibilidade de realizar seus sonhos e só lhe restam aguardar. Sentem-se desamparados e inseguros.

[...] “Quando eu fui ganhar o nenê…aí, é que eu chorava mais. O médico dizia: “Faz força, mãe”. Eu chorava… “Por que ?” (respondia ao médico)  Porque nas outras salas tinha um monte de mulher tendo nenê. Elas davam grito e o nenê já chorando. E eu já sabia que o meu não ia chorar. Aí, eu chorava mais ainda”. (Mãe) (Rodrigues, 2009,p.50)

Se a mãe estiver em condições físicas para o parto vaginal, ele é a melhor opção, segundo a orientação médica, na medida em que não apresenta nenhum risco para a mãe e, além disso, irá ajudar as futuras gravidezes e partos.

Muitos pais dizem que ver e segurar o seu bebê tem ajudado a superar a sua morte. Mas não existe uma fórmula para fazer essas coisas “corretamente”, cada mãe e pai precisa fazer o que se sente bem. É normal se preocupar sobre como será quando der a luz ao bebê, você pode perguntar às pessoas do hospital.

[..] “Aí o doutor falou para mim se queria ver o neném e eu disse que sim, porque o primeiro que perdi eu não vi. Não tive coragem de ver, né?..  esse segundo eu vi. Foi difícil”. (Mãe) (Rodrigues,2009,p.51)

Se você decidir ver seu bebê, procure saber se outras pessoas da família querem vê-lo, mesmo se você tiver outros filhos. Incluí-los pode ajuda-los a superar a perda de um irmão / neto / sobrinho.

O hospital deve deixá-lo ficar com seu bebê o tempo que você deseja. Se você quer ficar sozinha com seu bebê você poderá solicitar ao hospital. Dedique o tempo que você precisa. Este tempo será único para as suas recordações.

Muitos pais escolhem o nome do bebê. Isso ajuda o bebê ser mais real e ajuda a falar sobre ele ou ela mais tarde. No entanto, você pode achar mais fácil superar a perda, se o bebê não tem nome. A decisão de nomear ou não é muito pessoal e você deve sentir com toda a liberdade para fazer o que parece ser melhor para você.

Infelizmente, os hospitais no Brasil não possuem um protocolo de como os profissionais precisam atuar quando acontece a morte de um bebê antes do nascimento (natimorto) ou logo após o nascimento (morte neonatal). Estamos apontando a esse fato segundo pesquisas realizadas em Hospitais no Brasil e depoimentos de pais que passaram pela experiência de perder o filho próximo a data do nascimento.