Uma abelhinha chamada Melissa

Tudo aconteceu no dia 07/10/2015, era quarta-feira e eu estava com 37 semanas. Um dia antes eu havia realizado dois cardiotocos (exame que mede o bem-estar do bebê e os batimentos cardíacos). Tudo estava em ordem com a minha linda “abelhinha” (era assim que carinhosamente chamávamos minha menina, seu nome é Melissa, que em grego significa “abelha”). A noite meu marido conversou com ela antes de dormirmos e ela respondeu com dois chutinhos. Também senti seu soluçar antes de pegar no sono e pensei: graças a Deus está tudo bem!  No dia seguinte, eu tinha um ultrassom agendado para as 7:15 da manhã. Acordei, me arrumei, e notei que ela não se mexia nem respondia nossos estímulos. Eu sentia que tinha algo errado, mas jamais queria pensar que pudesse acontecer o pior. Mas infelizmente, o ultrassom confirmou: o coraçãozinho da minha “abelhinha” tinha parado de bater. Não sei se naquele momento, se na madrugada ou se logo que peguei no sono na noite anterior. Meu mundo desabou! Entrei em desespero e não queria acreditar que tudo aquilo estava acontecendo com a gente. Como assim? Faltavam somente três dias pro parto (estava agendado para o sábado daquela mesma semana), estava tudo pronto pra chegada dela: roupinhas lavadas e passadas, quartinho todo arrumado e decorado, malas prontas. Como assim minha princesa tinha morrido? Não queria acreditar, não poderia acreditar! Foi o pior dia da minha vida! Meu marido esteve comigo o tempo todo, graças a Deus, me dando força. Mas eu via que ele também estava despedaçado. Choramos muito. Saímos da unidade onde fazíamos os ultrassons e fomos direto pra maternidade na esperança de chegarmos lá e alguém nos dizer que “foi um engano” ou que “foi só uma brincadeira de mal gosto”, mas infelizmente era tudo real. Eu tinha acabado de perder minha filha que eu tanto desejei e amei. Foram três anos de espera até que Deus nos presenteasse com a nossa Mel. E agora ela se foi pra sempre…. Não amamentei, não dei banho, não troquei, não a coloquei pra dormir… Que dor no meu peito. Que dor no meu peito!  Meu parto foi normal induzido. Todas as dores que senti com as contrações não se comparam com a dor que sinto até hoje em meu peito. Sinto muita saudade da minha filha, minha eterna “abelhinha”. Ela nasceu às 20:35 do dia 07 de outubro de 2015. Segurei-a em meus braços já sem vida e não me arrependo nem um pouco. Aliás, me arrependo de não ter ficado mais tempo com ela nos braços. Minha filha era linda (mãe coruja, eu sei, rs). Toda perfeitinha. Durante todo o tempo que esteve em meus braços eu pedia pra que ela abrisse os olhinhos, desse um chorinho pra que todos vissem que estavam enganados e pra que a gente pudesse ir pra casa, juntas. Mas nada disso aconteceu e cada vez mais, meu mundo ia abaixo. Apesar de tudo o que aconteceu e de toda tristeza que sinto hoje, eu ainda agradeço muito a Deus por ter me permitido ser a mãe da Melissa. Também agradeço a minha Melzinha por esses nove meses de pura felicidade. Minha filha foi incrível a gestação inteira. Não me causou nenhuma dor e ainda me permitiu realizar o parto normal, que era algo que eu tinha medo e ao mesmo tempo o desejo de vivenciá-lo. Enfim… tem sido dias de muita tristeza, muita saudade, mas tenho fé que Deus vai nos ajudar a superar o quanto antes e vai amenizar toda essa dor. Jamais vou esquecer minha Melissa, ela sempre terá um lugar reservado no meu coração.

Uma semana antes de tudo acontecer eu havia preparado um texto de agradecimento aos meus amigos e familiares que eu postaria no Face. Eu havia deixado um rascunho salvo no meu celular e faria esse post alguns minutos antes do parto. Após 1 mês e meio que tudo aconteceu, “fuçando” no celular, encontrei o texto e acredito que, mesmo com o final diferente de tudo aquilo que eu havia planejado (e sonhado), valeria a pena deixar registrado:

“Por um instante, cheguei a pensar que nunca viveria um momento como esse. Mas Deus é tão maravilhoso que permitiu que eu vivesse a melhor experiência que pode acontecer na vida de uma mulher. Hoje realizo mais um grande sonho! E a palavra pra descrever tudo isso só pode ser GRATIDÃO! Agradeço a Deus por me escolher ser a mãe da Melissa, agradeço a minha família que engravidou junto comigo e curtiu cada chutinho dela, cada movimento que a minha barriga fazia como se fosse a primeira vez que estivessem vendo aquilo na vida. Agradeço especialmente a minha irmã Andressa que foi super parceira e esteve comigo o tempo todo e me ajudando nesse finalzinho com as 156.733.676 roupinhas da Mel pra passar (rsrs). Agradeço aos amigos que se fizeram presentes neste momento tão mágico (ainda que estivessem distantes fisicamente). E obviamente não poderia deixar de agradecer a pessoa que mais desejou tudo isso comigo, meu esposo Eduardo: obrigada por sonhar comigo, por toda paciência, pelo companheiro que você é, pelas noites mal dormidas, por segurar minha mão sempre que eu tive medo, por conversar com a Mel e já fazer seu papel de pai como se ela já estivesse aqui do lado de fora junto com a gente. Eu não tenho dúvidas de que você será o melhor pai que a Mel poderia ter e tenho certeza também de que ela sentirá muito orgulho de você! Te amamos muito! Bom, agora deixa eu finalizar porque é chegada a grande hora. Tô indo ali em um encontro mega especial…  #‎partiu #‎encontrar #‎minha #‎abelhinha #‎Melissa #‎pela #‎primeira #‎vez “.

Hoje eu completaria esse texto de agradecimento dizendo: OBRIGADA MELISSA por nos escolher para sermos as pessoas que a ajudaria cumprir sua missão. Apesar de toda a saudade que existe dentro de mim, sinto um orgulho imenso de ser sua mãe e te agradeço por isso. Você veio e realizou o meu grande sonho. Eu seria capaz de passar por tudo isso novamente, se fosse preciso, para viver esses nove meses incríveis com você. Te amo minha filha, te amo além da vida!